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Entender o significado prático do que os PCNs (1999) preconizam em relação a competências e a habilidades torna-se uma preocupação nossa, enquanto profissionais do ensino. Logo, o objetivo desta pesquisa, à luz da Lingüística Aplicada, a qual permite o apoio na Lingüística Textual e na Gramática Funcional, é analisar, primeiro, como se tem viabilizado o ensino de gramática para que o aluno venha a dominar as modalidades lingüísticas de expressão; segundo, entender qual é a concepção de linguagem que orienta esse estudo, hoje, em sala de aula; e, por fim, perceber se é possível trabalhar esse conteúdo de forma reflexiva. Nesse sentido, o corpus a ser pesquisado será um dos instrumentos que auxilia na construção desse processo cognitivo-discursivo: o material didático usado pelos professores. Nele estão as marcas da prática, envolvendo a língua e, por conseguinte, a concepção de gramática, adotada pelos docentes. Assim, escolhemos duas unidades do material apostilado adotado pelo Colégio Nobel, em que as categorias gramaticais são evidenciadas e, dentre as várias classes de palavras, optamos pela delimitação na do substantivo, por geralmente ser um conteúdo ministrado de forma bastante mecânica, com a cobrança da regra pela regra, e até com a apresentação de noções semânticas, formais e funcionais equivocadas ou pelo menos tangenciais. O material complementar produzido pelos professores, a fim de ajudá-los em sua prática diária, também será pesquisado, por conter as diretrizes que conduzem o ensino de língua materna no ambiente escolar. Desse modo, servirá como suporte para esta análise a Gramática da Língua Portuguesa (Vilela e Koch, 2000), e a Gramática de Usos do Português (Neves, 2000).
Palavras-chave: Lingüística Aplicada; ensino de língua materna; gramática.

Fonte: Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Lingüística Aplicada (Mestrado), como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Marilurdes Zanini
Área de Concentração: Ensino-aprendizagem de Língua Materna, Universidade Estadual de Maringá – PR. (2003)
http://www.ple.uem.br/defesas/pdf/madkraemer.pdf
(Acesso em 25/06/2011)

* Material Didático: A gramática que se revela. - Márcia Adriana Dias Kraemer (UEM)
(...) O gênero, como categoria nominal, pode seguir diversos critérios de classificação, de acordo com a língua que o organiza. Câmara Jr. registra, como exemplo, a língua malaia, que distribui o seu léxico, segundo o gênero, na classe dos seres humanos, na dos bichos de cauda, na dos frutos (que inclui os navios, as ilhas e os lagos), na dos grãos com todos os objetos redondos, etc.[2] O fato de os navios, entre outras palavras, estarem incluídos na classe dos "frutos" mostra a precariedade que pode estar presente nos critérios de distribuição das palavras de uma língua em classes mórficas.

Fonte:
Revista Eletrônica do Instituto de Humanidades (UNIGRANRIO); Vol. II, Nº VI; Jul-Set/2003.
(Acesso em 24/12/2010)

* O gênero do português e suas relações morfo-semânticas. - Prof. Mauro José Rocha do Nascimento (UNIGRANRIO)
(...) A questão que aqui se apresenta, apesar de ser uma reflexão numerosas vezes discutida em sala de aula com os alunos do Departamento de Letras da UERJ, foi sistematizada pela primeira vez na Moderna Gramática Portuguesa do Prof. Evanildo Bechara. Por isto, grande parte deste artigo já está na exposição daquele ilustre acadêmico, mesmo quando não vai entre aspas aqui. Ora, em português, todo substantivo está dotado de gênero, que se distribui entre os masculinos e os femininos.

Fonte: Letras em foco. Anais da II Semana de Letras e da VI Semana de Lingüística e Filologia. Tomo I: Língua, Lingüística e Filologia. São Gonçalo: DEL(UERJ) / CiFEFiL, 2000, p. 9-27.
(Acesso em 24/12/2010)

O gênero gramatical é uma categoria nominal extremamente particular e complexa, responsável pela divisão, na língua portuguesa, dos nomes em masculinos e femininos. Partindo de um estudo maior, que busca averiguar como se dá o ensino do gênero no ensino fundamental, o presente trabalho pretende verificar os conceitos de gênero que os alunos possuem. A amostra da pesquisa conta com um total de dezesseis alunos – quatro de cada série investigada (2a, 4a, 6a e 8a séries) – oriundos de duas escolas públicas do município de Maringá/PR, aos quais foram aplicadas provas distintas e entrevistas individuais, a fim de analisar como o conceito de gênero gramatical vem sendo compreendido nessas séries. Os resultados obtidos revelam que em todas as séries há predominância, por parte dos alunos, do uso do conceito semântico em detrimento do gramatical. Este desempenho sugere a existência de confusão conceitual gênero/sexo neste grau de ensino.
Palavras-chaves: educação; categoria de gênero; conceitos.

Fonte: Revista Linguagem & Ensino,v.10,n.1,p.141-162,jan-jun/2007.
http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v10n1/05Fabiana.pdf
(Acesso em 24/12/2010)
 

* A predominância do conceito semântico nas definições de gênero de alunos do ensino fundamental. - Fabiana Poças Biondo; Edson Carlos ROMUALDO; Geiva Carolina Calsa (Universidade Estadual de Maringá)
(...) Os substantivos servem para designar uma vasta e variada série de noções concebidas pelo intelecto humano, cuja sistematização não compete à gramática. Do ponto de vista gramatical, tradicionalmente se consideram relevantes distinções como concreto x abstrato, próprio x comum, animado x inanimado. Na subclasse dos substantivos animados é comum encontrarmos pares como homem/mulher, gato/gata, carneiro/ovelha, rei/rainha, que nossa tradição escolar transformou na razão por excelência da análise gramatical do gênero.
A verdade, porém, é que todo e qualquer substantivo pertence a um gênero, e não apenas os que denotam seres animados. O excesso de importância tradicionalmente concedida a essa subclasse se explica pela confusão que se fez entre gênero – que é uma categoria gramatical – e a noção bioló gica, portanto extralingüística, de sexo. Este equívoco já estava resolvido desde os trabalhos pioneiros de Manuel Said Ali (1861; 1953), mas ainda resta uma certa confusão em obras recentes destinadas ao ensino médio.

Fonte: Anais do II CLUERJ-SG; Volume Único; Ano 2; n.º 01; 2005.
É comum identificar-se o início do «Português Moderno» ou «Português Clássico» com meados do século XVI, mais frequentemente com 1536, data da publicação da Gramática de Fernão de Oliveira, já que « parece confortavelmente seguro promover a primeira gramática portuguesa a primeiro testemunho da língua na sua fase clássica» (Castro, 1991:243).
Com efeito, é neste período que a língua portuguesa começa a adquirir a sua feição actual. Se bem que haja já superação de alguns aspectos mais arcaizantes1 a verdade é que – relativamente ao género – se está ainda um pouco num período de transição. É frequente, aliás, encontrarmos neste século, tal como em Português antigo, algumas hesitações de género («cortandolhe as pernas lançouas a huma lebre [...] porque ho lebre[...]», J. Ferreira de Vasconcelos cap.18, 104), adjectivos hoje uniformes como biformes, por exemplo, «ruda forca» (Camões, Os Lusiadas, II, 65), etc.
De qualquer modo, a partir deste período começa a haver uma maior proximidade, em relação ao Português actual, no que se refere também ao género, embora a fixação definitiva seja, em muitos casos, posterior a esse século.

Fonte: In: Estudos em homenagem ao Professor Doutor Mário Vilela; 527 - 544; Porto: FLUP.
(Acesso em 24/12/2010)

* A categoria gramatical de género do português antigo ao português actual. - Maria Carmen de Frias e Gouveia (Universidade de Coimbra / C.E.L.G.A.)
Neste sucinto trabalho, não teríamos a pretensão de uma discussão mais exaustiva dos temas abordados (pela proposta da monografia em si), mas tão somente tecer algumas considerações sobre o gênero nos substantivos da L.P., culminando na afirmativa da inexistência de flexão nos mesmos, tema este que, não obstante numerosas discussões, só recentemente foi sistematizado, na Moderna Gramática Portuguesa do ilustre acadêmico, Prof. Evanildo Bechara.

Fonte: Revista Philologus, Ano 6; n° 16; p. 26-36.
“Quando é preciso especificar o sexo do animal, ajuntamos ao seu nome promiscuo, debaixo do mesmo artigo, o adjetivo explicativo macho e fêmea, dizendo: o elephante macho, o elefante femea, a onça macha, a onça femea, etc.”. (BARBOSA, 1881, p.88).
Jerônimo Soares Barbosa não incorre no equívoco em que veio a incorrer a gramática tradicional, que, nos casos mencionados na citação acima, fala em distinção de gênero. Na realidade, os nomes ou são masculinos ou femininos, os termos macho ou fêmea lhes são acrescentados para distinção de sexo. Para isso veio a alertar Mattoso Camara Jr.

Fonte: Artigos/ensaios disponibilizados na página de Hilma Ranauro.
Este artigo pretende apresentar uma discussão sobre a categoria de gênero com base na análise de exemplos do Português do Brasil (PB) no âmbito da língua comum e da linguagem de especialidade. Os casos de ‘meninada’ e ‘molecada’, da língua comum, e ‘a cultivar’, pertencente à terminologia das ciências agrárias, serão enfocados com base em uma teorização prévia sobre a categoria de gênero em diversas línguas e, especificamente, no PB. Serão considerados, também, aspectos que se relacionam à Lexicografia.
Palavras-chaves: gênero, português do Brasil, terminologia, Lexicografia.

Fonte: R e v i s t a  P r o l í n g u a; Volume 2; Número 2; p. 24-37; Jul/Dez de 2009.
O objetivo deste trabalho é investigar a base conceitual que professores do Ensino Fundamental possuem sobre a categoria nominal de gênero. Para tanto, a partir de estudos sobre a categoria de gênero e a compreensão conceitual, analisamos as verbalizações a respeito do tema, coletadas por meio de entrevistas, de um total de oito professores de duas turmas das 2a, 4a, 6a e 8a séries, atuantes em uma escola pública da cidade de Maringá-PR. Os resultados demonstram que, de modo geral, os entrevistados, embora apresentem a relação da categoria com “masculino e feminino” e com os “substantivos”, quando são solicitados a definir gênero gramatical, confundem-se e mostram-se bastante inseguros. Além disso, para a diferenciação do gênero masculino e feminino, encontramos a variação do uso de apenas um até três critérios, quais sejam: o sexo; a terminação (flexão/derivação) e o artigo (concordância). Os resultados mostram, ainda, que a maioria dos professores tem domínio da nomenclatura referente à categoria de gênero nominal, no entanto, alguns deles não conseguem justificar a relação e os limites que separam dois dos conceitos básicos que envolvem o trabalho com o tema: o gênero gramatical e o sexo dos seres.
Palavras-Chave: Gênero gramatical. Compreensão conceitual. Professores.

Fonte: Revista Línguas & Letras; Vol. 11; No 20; 1º Semestre de 2010.
(Acesso em 24/12/2010)


* A compreensão do gênero gramatical por professores do ensino fundamental: imprecisão conceitual. - Edson Carlos Romualdo (Doutor em Letras pela UNESP – docente da graduação e da pós-graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM); Fabiana Poças Biondo (Mestra em Letras pela UEM e docente da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)